quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Homeschooling tramita na Câmara dos Deputados

Amigos,

Recebi pelo twitter a informação de que tramita na Câmara de Deputados projeto de lei sobre homeschooling (o direito dos pais educarem seus filhos em casa e depois serem submetidos a testes, exames e provas para receberem o "grau" formal do sistema educacional). Esse sistema além de ser referenciado biblicamente, pois restitui à família sua função precípua de educar seus filhos, o que foi roubado pela visão totalitária do Estado moderno a que estamos submetidos, restaura o verdadeiro sentido de "sociedade civil" conforme o comentário do autor do texto.

Fidelis Paixão

PS: Aproveito para lhes transmitir a mensagem que recebi de Julio Severo:

"Para quem tiver mais interesse na educação escolar em casa, tenho duas recomendações. O livro De Volta Ao Lar, que pode ser encomendando neste link: http://www.edicoescristas.com.br/produto.php?vitrine=262

E o Blog Escola Em Casa: http://www.escolaemcasa.blogspot.com "


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Importa agora é que você leia o texto abaixo, escrito e enviado por um dos leitores da Dicta, Felipe Ortiz (para quem não se lembra, saudoso autor do blog Alexandrinas, lá dos tempos do Wunderblogs). Ele explica direitinho uma das maiores notícias que a imprensa brasileira não divulgou - o fato de que há uma discussão parlamentar a respeito do homeschooling, conhecido também como ensino domiciliar, motivo de muito polêmica nos EUA e na Europa. O motivo do rebuliço é óbvio: a partir do momento em que os pais decidirem o que seus filhos devem aprender, o Estado perde completamente o poder sobre a consciência futura da nova geração.

(Da minha parte, como se pode notar, sou totalmente a favor do homeschooling. É a única forma de evitar que o seu filho não vire vítima de lavagem cerebral nas escolas públicas e privadas deste país)

Por que a mídia não falou nada sobre isso? Suspeito que estão mais preocupados com a eleição da reitoria da USP, para variar. Entretanto, leiam o relato pois mostra um estado de coisas que só um cidadão digno e cioso de suas liberdades tenta mudar - mesmo com a máquina estatal contra ele. Dizem que só é dessa forma que se começa aquilo que, na prática, era chamado de governo civil.

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“Alguns de vocês provavelmente sabem que estão em tramitação na Câmara dos Deputados dois projetos de lei (PLs) propondo a legalização explícita do ensino domiciliar (ou homeschooling) no Brasil: o PL 3.518/2008, de autoria dos Deputados Henrique Afonso (PT/AC) e Miguel Martini (PHS/MG) e o PL 4.122/2008, de autoria do Deputado Walter Brito Neto (PRB/PB). Por tratarem do mesmo tema, os dois projetos estão passando por aquilo que se chama de “tramitação em apenso”, isto é, estão sendo discutidos e votados simultaneamente.

Detalhes sobre esses projetos podem ser conhecidos nesta página:

http://www2.camara.gov.br/proposicoes/loadFrame.html?link=http://www.camara.gov.br/internet/sileg/prop_lista.asp?fMode=1&Ano=2008&Numero=3518&sigla=PL

A primeira etapa da tramitação dos projetos é o seu exame por um subgrupo específico da Câmara, a Comissão de Educação e Cultura (CEC), composta por 34 deputados. Nessa Comissão, a Deputada Bel Mesquita (PMDB/PA) foi escolhida para ser a relatora do projeto — isto é, coube a ela examinar os projetos e apresentar a seus colegas da Comissão uma exposição a respeito, manifestando ainda a sua opinião pessoal favorável ou contrária à aprovação dos projetos, devidamente fundamentada. Os pareceres dos relatores não são necessariamente acatados pelos membros das comissões, mas na maioria das vezes exercem uma considerável influência prática.

Pois bem: no dia 9 de junho, a Deputada Bel Mesquita apresentou um relatório contrário aos projetos, propondo à Comissão que sejam rejeitados. A Comissão ainda não deliberou sobre o relatório da Deputada; mas, caso o acate, os projetos de lei serão definitivamente rejeitados e a sua tramitação não terá mais seguimento no Congresso. É importantíssimo, pois, para todos aqueles que querem ver o ensino domiciliar legalizado no Brasil, que os membros da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados votem contrariamente ao relatório da Deputada Bel Mesquita e favoravelmente aos projetos aos quais ela se opõe, para que eles possam seguir em frente e continuar sua tramitação no Congresso.

No dia 2 de julho, o Segundo Vice-Presidente da Comissão, o Deputado Lobbe Neto (PSDB/SP), apresentou à Comissão um requerimento solicitando que, antes de tomar uma decisão, os membros da Comissão promovam uma audiência pública, para a qual seriam convidados representantes da sociedade e especialistas em educação. Nessa audiência pública eles poderiam expor aos membros da Comissão, oralmente e em pessoa, seus argumentos e experiências com o assunto, debater entre si e responder às dúvidas dos Deputados. Os cidadãos em geral também poderiam comparecer à audiência pública. O Deputado Lobbe Neto sugeriu que fossem convidadas cinco pessoas para palestrar nessa audiência:

(a) um representante do Ministério da Educação, a ser indicado pelo Ministro Fernando Haddad;
(b) o Prof. Peri Mesquida, pós-doutor em educação pela Universidade de Genebra (Suíça) e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba;
(c) o Sr. Cláudio Ferraz Oliver, escritor, mestre em educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba, e residente nessa cidade;
(d) o Sr. Cléber de Andrade Nunes, designer, residente em Timóteo (MG), pai de dois adolescentes que estão sendo educados em casa por ele próprio e por sua mulher, e atualmente enfrentando ações judiciais que estão sendo divulgadas na imprensa de todo o país; e
(e) o Prof. Luiz Carlos Faria da Silva, doutor em educação pela Universidade Estadual de Campinas e professor da Universidade Estadual de Maringá (PR).

Dentre os cinco possíveis convidados cogitados pelo Deputado Lobbe Neto, espera-se que quatro deles defendam a legalização do ensino domiciliar, enquanto é quase certo que um outro (o representante do Ministério da Educação) critique a proposta. O Sr. Cléber Nunes é notoriamente favorável ao ensino domiciliar e vem suportando uma dura mas heroica luta judicial pelos seus ideais. Quanto aos três professores mencionados, escrevi para eles perguntando sua posição, tendo obtido resposta de dois deles, os Srs. Cláudio Oliver e Luiz Carlos da Silva, que disseram-me ser favoráveis à legalização do ensino domiciliar. Fui informado ainda, por alguém que conhece o Prof. Peri Mesquida, que este também é favorável à legalização.

Quanto ao representante do Ministério da Educação, até o momento as informações de que disponho sugerem que será o Ministro em pessoa, Sr. Fernando Haddad. Ao que tudo indica, é provável que, dentre os cinco oradores, ele seja o único contrário à proposta.

Dessa forma, tudo indica que os adeptos do ensino domiciliar terão nessa audiência pública uma oportunidade muito rara de ver suas propostas defendidas com tempo suficiente e com competência técnica perante os deputados que decidirão a questão.

Acabou de chegar ao meu conhecimento a data e horário em que essa audiência será realizada. Será dia 15 de outubro, quinta-feira, às 10h00 da manhã, na Câmara dos Deputados (a sala exata ainda está por ser definida), em Brasília-DF:

http://www.camara.gov.br/internet/ordemdodia/integras/700646.htm

Como diz o próprio nome, essas audiências são públicas e, portanto, qualquer cidadão tem o direito de comparecer para assisti-las. É muito importante que todos aqueles que têm condições de estar presentes a essa audiência pública compareçam, a fim de prestar seu apoio aos oradores que virão defender o ensino domiciliar e demonstrar aos deputados que há interesse popular no assunto. Esse é um grande momento para a reivindicação do direito ao ensino domiciliar.

Solicito ainda, por gentileza, que divulguem a realização dessa audiência pública entre todos os possíveis interessados.

Atenciosamente,

Felipe Ortiz”

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Câmara de Deputados pode abrir caminho para patenteamento da biodiversidade

Na semana que passou, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara aprovou, por unanimidade, o Projeto de Lei 4.961/2005, que tem como objetivo permitir o patenteamento de substâncias e materiais biológicos (moléculas, genes, proteínas etc.) “obtidos, extraídos ou isolados da natureza”. Acordos internacionais e também a lei brasileira de patentes proíbem essas atividades, que devem ser entendidas como apropriação privada da Natureza. O PL é de autoria do Deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB/SP) e teve parecer favorável do relator Germano Bonow (DEM/RS).

Os parlamentares argumentam que a medida é necessária para atrair investimentos e assegurar o avanço tecnológico na área da prospecção da rica biodiversidade do País. Acontece que a lei em vigor já garante o uso comercial de processos ou produtos derivados do patrimônio genético brasileiro. O que a lei proíbe, acertadamente, é que isso seja feito sob a proteção de monopólios.

Na prática, hoje as patentes são concedidas quanto o requerente demonstra que sua invenção se encaixa nos critérios de “novidade, atividade inventiva e aplicação industrial”. Ao mesmo tempo, não se considera invenção “o todo ou a parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados”. O que faz a proposta é mudar o entendimento que se tem sobre os conceitos de descoberta e invenção a fim de liberar o patentamento de meras descobertas.

Um composto químico extraído de uma planta é uma descoberta, e não uma invenção. O produto já existia na natureza. Já as técnicas para isolar e extrair tais moléculas são invenções, passíveis, portanto, de proteção patentária. O mesmo vale para os genes. Uma sequência genética de um organismo qualquer pode ser descoberta, mas não inventada. O método usado para descrevê-la é uma invenção.

Ainda que um pesquisador ou empresa quisesse patentear essa sequência “inventada”, seria necessário demonstrar que se trata de uma “novidade”. Ou seja, que nenhum outro organismo vivo possui código genético igual.

Diante da impossibilidade dessa tarefa, é mais fácil mudar as regras do jogo. A indústria biotecnológica-química-farmacêutica está de olho na megadiversidade brasileira. Uma molécula extraída da natureza e que virou propriedade de uma Roche ou Monsanto, não poderia ser utilizada por terceiros para o desenvolvimento de um novo fármaco, por exemplo, a não ser mediante pagamento de licenças. Ou seja, colhe-se maiores restrições à pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Isso mostra que o resultado da manobra é o oposto do que alegam seus defensores.

Não custa lembrar nossa Constituição Federal, que define o meio ambiente (incluindo o patrimônio genético) como bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida. Sua titularidade é difusa porque não pertence a ninguém em especial, mas cada um pode e deve promover sua defesa para benefício de toda a coletividade.

O PL havia sido arquivado em 2005, mas foi retomado nesta legislatura por iniciativa do próprio deputado Thame. Antes de ser votado em plenário, deve ainda ser analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio e Constituição e Justiça e de Cidadania. Mas antes disso, para benefício de toda a coletividade, esperamos que novamente a matéria seja retirada de pauta e arquivada.

Fonte: Movimento “Por um Brasil Livre de Transgênicos”

Contato: livredetransgenicos@aspta.org.br

sábado, 5 de setembro de 2009

Entendendo os Ciclos de Deus: chaves para crescer e ser abençoado

Tomo a liberdade de transcrever abaixo um resumo de alguns capítulos do excelente livro "Os Ciclos de Deus", de Robert Reidler, publicado recentemente pela Editora Ministério Ágape Reconciliação. Fiz isso porque creio que estamos vivendo o tempo da restauração das raízes bíblicas da igreja cristã e esse texto nos traz tremendas revelações sobre o calendário de Deus, as festas bíblicas e os "tempos de encontro" com Deus. Uma excelente leitura. Recomendo que adquiram o livro no site da editora.


OS CICLOS DE DEUS
Chaves para crescer e ser abençoado


Deus está levantando um povo profético! Ele está nos chamando para sermos como os filhos de Issacar, homens e mulheres que sejam destros na ciência dos tempos (I Cr. 12:32). Deus quer que entendamos seus tempos para não perdermos as oportunidades que se abrem para nós. Ele quer nos alinhar com seus ciclos de vida para que prosperemos em todas as épocas!

No ciclo natural da vida, diferentes épocas se sucedem, umas às outras. Há épocas de crescimento; outros são períodos de descanso; e outras ainda são épocas de guerra. A vida é uma série de mudanças – um processo de ir do velho para o novo – do chronos (o curso normal do tempo) ao kairós (o tempo oportuno, estratégico, ou o tempo de agora). Há tempos de crescimento, de mudanças, de avivamento. A vida é como uma corrente, com elos interligados. Não compreendendo isso, nossa tendência é desprezar os tempos chronos de preparo, semeadura, crença e perseverança... Não estamos perdendo ou gastando tempo, nós o estamos investindo. E, se agirmos com fé, a mudança ocorrerá.

Quando um tempo de desolação ou seca termina e um novo período de promessa se inicia, esses são os tempos de agora que Deus tem para nós. Em Daniel 9:1-2, vemos um exemplo bíblico em que um período de desolação chega ao fim e um período de cumprimento profético inicia-se. Estando Daniel a ler, de repente entendeu que havia uma profecia, dada muitos anos atrás, e que agora era o tempo em que ela seria cumprida.

Tal como Daniel, nós também precisamos entender a sequência dos tempos de Deus. Temos que saber quando é o tempo de sairmos da nossa desolação e adentrarmos uma nova etapa em nossa vida.

O inimigo tem o maior prazer em interromper o plano de Deus em qualquer uma dessas etapas para que assim o nosso destino não se cumpra. Seu prazer é que percamos o nosso kairós, a oportunidade que o Senhor tem para cada uma das etapas em nossa vida.

Todos nós passamos por um período de deserto, estabelecido por Deus, que é necessário para deixarmos uma etapa e prosseguirmos para a seguinte. Entretanto, podemos prolongar esse período de deserto. Os israelitas foram feitos cativos no seu tempo de deserto por causa da descrença e dureza de coração, ao passo que Jesus resistiu ao diabo em seu tempo de deserto e saiu dele cheio de poder.

A escolha é nossa! Como romper a estratégia de desolação do inimigo e entrar no plano de prosperidade de Deus? Um dos pontos mais importantes é colocar a nossa vida em alinhamento com o ciclo da vida estabelecido por Deus. A Bíblia ensina que Deus opera através de ciclos para abortar o plano do inimigo e estabelecer os propósitos graciosos que Ele tem para a nossa vida.

Vemos em I Crônicas 12:32 que os filhos de Issacar eram homens “destros na ciência dos tempos para saberem o que Israel devia fazer”! Esse é o chamado de Deus para todos nós! Quando entendemos os tempos, adquirimos uma percepção interior que nos levará a prosperar. Aprendemos a por em ordem a nossa vida e seguir adiante para cumprir o nosso destino.

Aprendi a prestar muita atenção ao calendário de Deus. Muitos não compreendem que Deus tem um calendário! Mas ele está escrito – em detalhes – na Bíblia. Ao alinharmos a nossa vida com o calendário de Deus, ficaremos em condições de reconhecer as épocas e os tempos que o Senhor estabeleceu para separarmos para Ele. O calendário bíblico de Deus é a chave para caminharmos na unção de Issacar.

À medida que formos estudando o calendário de Deus, descobriremos que Ele marcou conosco uma série de “tempos de encontro”, a cada ano. Esses tempo de encontro formam o ciclo anual da vida, que tem o propósito de nos levar – ano após ano – a sermos cada vez mais abençoados!

ENTENDENDO OS CICLOS DE DEUS
Êxodo 23:14-17

Um ciclo é algo que dá voltas e segue para um destino. O universo está cheio de ciclos.

Alguns são ciclos de destruição. No universo há muitos ciclos desse tipo. Na natureza há furacões, por exemplo. Outros ciclos de destruição são ciclos de vícios, de pobreza, de descrença e de derrota.

Um clássico exemplo de um ciclo de destruição é encontrado no livro de Juízes. Nele encontramos a nação de Israel presa no ciclo do pecado, mais ou menos assim:

O povo se rebela contra Deus...
Deus permite que seus inimigos apareçam e os oprimam...
O povo arrepende-se e volta-se outra vez para Deus...
Deus levanta um libertador para salvá-los do inimigo...
Com a quebra da opressão, logo eles se rebelam de novo.

No livro de Juízes, o povo passa por esse ciclo sete vezes!

Conheço muitas pessoas que hoje em dia vivem nesse mesmo ciclo. Temos ministrado homens e mulheres que buscam a Deus de todo o coração... contudo estão numa prisão! Mas quando são libertados, rapidamente caem de novo no velho ciclo do pecado.

Satanás trabalha com diversos ciclos de destruição em toda a nossa vida. Ele quer nos prender dentro de ciclos que nos desviem do plano de Deus e nos mantenham derrotados.

A boa notícia é que Deus também atua através de ciclos. Há ciclos que revelam a bondade e o poder de Deus!

No reino natural, há ciclos de plantar e colher. Quando você semeia em boa terra, você colherá muito mais do que semeou. O resultado é multiplicação e crescimento.

Deus usa ciclos para nos elevar a novos níveis de suas bênçãos e provisões. Em Jericó Deus colocou Israel num ciclo de vitória. Deus quer colocar você em ciclos de bênçãos, de amadurecimento e de crescimento. Ele tem hoje para você um ciclo de vitórias. Ele quer que você rompa o ciclo satânico de destruição, e entre no ciclo de bênçãos!

Nas Escrituras, alguns ciclos muito importantes foram estabelecidos por Deus para o seu povo. Esses ciclos têm o propósito de nos levar para mais perto dele, quebrando o poder do inimigo e dando-nos uma revelação cada vez maior de como Ele é bom!

O primeiro desses ciclos é um ciclo semanal, que foi estabelecido por Deus na criação do mundo. Deus nos instruiu para trabalharmos diligentemente por seis dias, e assim, a cada semana, tirarmos o sétimo dia para descanso, para shabatt. Deveria ser um dia especial, um dia separado para descansarmos e alegrarmo-nos com a bondade e as bênçãos do Senhor.

Deus também nos deu um ciclo de vida anual, constituído de uma série de “festas” ou “tempos de encontro”. Estes foram planejados para nos levar, passo a passo, a um caminhar mais profundo com o Senhor, mediante a quebra do poder do inimigo e liberando o poder de Deus em nossa vida.

As Festas Bíblicas fazem parte de um ciclo de vida dados por Deus que, na verdade, constitui um calendário bíblico. Elas não são apenas feriados ou rituais judaicos. Deus as chamou de “tempos de encontro” com Ele! Num sentido bem real, essas festas são “compromissos marcados” com Deus: ocasiões que Ele estabeleceu, ou determinou, para encontrar-se com o seu povo!

O objetivo de Deus foi dar um tratamento espiritual especial ao seu povo em cada um desses encontros. Em conjunto, esses tempos de encontro com Ele formam um ciclo anual com o propósito de levar o povo de Deus a receber bênçãos cada vez maiores. E Ele tem promessas específicas a todos que observarem esses tempos de encontro.

Esses tempos não “morreram”! A Palavra nos diz que esses tempos de encontro são eternos, “para todas as gerações”, e não podem ser mudados. Um dos pecados do anticristo (Dn. 7:25) é que ele “cuidará em mudar os tempos estabelecidos”. Essas festas não são apenas para os judeus. Zacarias promete bênçãos para os gentios que observarem as festas de Deus.

Jesus e seus apóstolos regularmente participavam dessas festas. Ainda, muitos eventos importantes no Novo Testamento ocorreram dentro do contexto das festas:
Jesus foi crucificado na festa da páscoa.
Jesus ressuscitou na festa das primícias(primeiros frutos).
O Espírito desceu durante a festa de pentecostes.

No livro de Atos a Igreja primitiva considerava as festas muito importantes. A Igreja não somente participava desses “tempos de encontro”, mas vemos que até mesmo Paulo planejava o itinerário de suas viagens missionárias levando-os em conta! Atos 20:6-16 nos diz que Paulo navegou, saindo de Filipos, depois dos dias da festa dos Pães Asmos (Páscoa). Paulo levou as festas bíblicas muito a sério. Suas epístolas fazem muitas referências a elas. Mesmo escrevendo para igrejas de gentios, Paulo presumia estar escrevendo para pessoas que celebravam essas festas (I Co. 5:7-8).

Registros da história da Igreja primitiva demonstram que os primeiros crentes celebravam essas festas.

INTRODUÇÃO ÀS FESTAS BÍBLICAS
“Tempos de Encontro” com Deus
Eclesiastes 3:1-6

A Bíblia nos ensina que Deus tem um plano detalhado para a nossa vida. Esse plano inclui importantes tempos, por Ele estabelecidos, através dos quais Ele deseja alcançar certos propósitos para nós.

Alguns são como eventos que ocorrem “uma única vez”. É uma única vez que se nasce e uma única vez que se morre fisicamente.

Outros são “repetitivos”. Ocorrem periodicamente toda vez que se passa por um ciclo. Todo ano novo traz um novo tempo para plantar e um novo tempo para colher.

Alguns desses tempos repetem-se tão regularmente que formam um calendário. O calendário de Deus forma um ciclo anual por Ele planejado para romper a opressão do inimigo e levar-nos a usufruir de um novo modo as bênçãos de Deus a cada ano.

São três os principais “tempos de encontro” com Deus, por Ele estabelecidos no seu calendário. Êxodo 23:14-17 os descreve da seguinte forma:

Três vezes por ano vocês me celebrarão festa...
· Celebrem a festa dos pães sem fermento... (da Páscoa, celebrada no início do outono do Brasil: março ou abril)
· Celebrem a festa da colheita dos primeiros frutos... (de Pentecostes, celebrada no final do outono: maio ou junho)
· Celebrem a festa do encerramento da colheita... (dos Tabernáculos, celebrada na primavera: em setembro ou outubro)
Três vezes por ano todos os homens devem comparecer diante do Senhor, o Soberano.

A Festa da Páscoa dá início ao calendário bíblico. Ela marca o primeiro mês do ciclo da redenção de Deus. É na verdade um agrupamento de três festas relacionadas entre si, que são a páscoa, pães asmos e a dedicação dos primogênitos.

A Páscoa representa a remissão do pecado e a purificação da impureza, que são sempre os primeiros passos para nos aproximarmos de Deus! Temos de estar “cobertos pelo sangue” de um sacrifício de expiação e lavados de toda impureza para podermos entrar na presença de Deus.

A Festa dos Pentecostes ocorre no terceiro mês. É uma tríplice celebração de agradecimento a Deus por suas bênçãos através da colheita (a provisão física de Deus), da Palavra (a entrega da Torá no Monte Sinai) e do Espírito Santo (o derramar do seu poder em Atos 2).

O Pentecostes é a celebração da provisão de Deus para nós. A festa da colheita do trigo representa a provisão física. A entrega da Torá representa a provisão da revelação dada por Deus. Torah significa “ensinamento de Deus”. Deus não nos deixou no escuro. Ele revelou o seu coração e a sua natureza através da sua Palavra. O derramar do Espírito completa a provisão de Deus através do derramar do seu poder. No Pentecostes celebramos toda a experiência da abundância de Deus. Depois do Pentecostes vem um longo intervalo, até a chegada da Festa dos Tabernáculos. Tabernáculos é a celebração da Glória de Deus. Representa a alegria de habitar na presença Deus.

A Festa dos Tabernáculos é celebrada no sétimo mês e é um agrupamento de três eventos relacionados: a Festa das Trombetas, o Dia da Expiação e a Festa dos Tabernáculos.

É interessante que as três festas correspondem aos três átrios no Tabernáculo de Moisés. O Tabernáculo pode ser representado pelo seguinte diagrama:

ATRIO EXTERNO: Foco na Redenção e na Purificação.
LUGAR SANTO: Foco na Abundante Provisão.
(VÉU)
SANTO DOS SANTOS: Foco em Habitando na Glória de Deus.

No átrio externo do Tabernáculo acha-se o altar de bronze para o sacrifício, e o propiciatório de ouro. O átrio externo era o lugar da redenção e purificação. Antes de se aproximar de Deus, os pecados tinham que ser cobertos, e as impurezas, purificadas.

No átrio interno, ou Lugar Santo, era a celebração da provisão de Deus. A mesa do pão da proposição era um reconhecimento da abundante provisão de Deus para as nossas necessidades físicas. O candelabro (menorah) de sete lâmpadas representava a provisão do Espírito Santo, liberando luz à nossa vida, e o altar de incensos representava o acesso a Deus através da oração.

Em seguida aos dois primeiros átrios havia uma barreira: o véu. O véu era uma cortina bem grossa que separava do povo o átrio interior. Somente o sumo sacerdote podia ultrapassar esse véu, e isso somente uma vez por ano. Naquele dia, após um cuidadoso preparo, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, passando pelo véu.

O Santo dos Santos era o lugar onde a glória de Deus habitava em meio ao seu povo. Ali é que Deus manifestava a sua presença de uma maneira tangível, liberando bênçãos para a terra.

Esse ciclo de “tempos de encontro” com Deus foi planejado para nos transportar, a partir do átrio externo, passando por todos os estágios de preparo, para finalmente entrarmos na incrível experiência da glória de Deus.

Por que isso é importante? Porque viver no mundo é como estarmos descendo numa escada rolante, rodeados por tentações e influências que procuram afastar-nos de Deus! Se não nos esforçarmos, com toda a nossa disposição, para dele nos aproximarmos, a tendência natural é nos distanciarmos de Deus cada vez mais.

Os “tempos de encontro” com Deus tiveram o propósito de nos colocar numa escada rolante, mas subindo! A cada ano eles nos fazem passar pelos passos que nos levam para mais perto de Deus.

Interessante, ainda, é que o ciclo de festas anuais é também uma representação da história da Igreja.

A páscoa representa o ministério de Jesus. Seu ministério na terra trouxe redenção e purificação, e assim a humanidade pôde entrar na presença de Deus. Ele pagou o preço da nossa redenção na Páscoa, morrendo como o perfeito Cordeiro pascal.

O Pentecostes representa a Igreja primitiva, que teve início com o derramar do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Em seus primeiros séculos, a Igreja teve a provisão e o poder de Deus liberados com abundância. Então veio a idade das trevas. Nesse período a Igreja perdeu muitos dos maravilhosos tesouros que Jesus lhe havia dado, e transformou-se numa organização política, com muita corrupção, com pouca evidência do poder espiritual que Deus tinha pretendido para ela.

Após a Idade das Trevas, o Espírito Santo iniciou um processo de restauração na Igreja, o qual ainda não terminou. Deus está agora preparando a sua noiva para o seu retorno. Ele está trabalhando para restaurar tudo que foi perdido, para que a Igreja dos últimos dias seja refulgente com a sua Glória quando Ele voltar.

Creio que a festa mais importante para a Igreja nos dias à nossa frente é a festa dos Tabernáculos. A Igreja dos últimos dias experimentará a presença de Deus como nunca antes, e manifestará a glória de Deus na terra.

O ciclo anual das festas não objetiva somente aproximar-nos de Deus; visa ainda “romper” a opressão do inimigo.

Creio que esse ciclo tem o propósito de nos dar uma nova experiência de libertação, a cada ano. Muitos princípios-chave de libertação fazem parte da celebração dessas festas. Para aqueles que delas participarem, não como rituais, mas como momentos de um real encontro com Deus, o resultado será que se libertarão, cada vez mais, de toda opressão de Satanás!

O ciclo anual de festas é também um roteiro para alcançarmos o avivamento. O sétimo mês do calendário bíblico começa com uma contagem regressiva de quinze dias para nos conduzir à presença de Deus. Sendo assim, o sétimo mês nos leva a quatro passos-chave para o avivamento, a cada ano.

Esses passos são:

A Festa da Trombetas – Um “Toque de despertar” de Deus! “Toquem as trombetas em Sião; dêem o alarme no meu santo monte” (Joel 2:1).

Os Dias de Temor – Um tempo de buscarmos a Deus e permitir que Ele revele qualquer obstáculo em nossa vida. “Então me invocareis, passareis a orar a mim e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr. 29:12-13).

O Dia da Expiação – Um tempo de confessar todo pecado de que se tenha conhecimento e remover os obstáculos à nossa vida vitoriosa. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9).

A Festa dos Tabernáculos – Uma alegre celebração da Glória de Deus. “Tendo Salomão acabado de orar... a glória do Senhor encheu a casa. Os sacerdotes não podiam entrar... porque a glória do Senhor tinha enchido a Casa do Senhor” (2 Cr. 7:1-2).

Esses tempos festivos foram determinados por Deus para nos levar anualmente a uma experiência de avivamento.

Com referência a esses “tempos de encontro” com Deus, temos um problema. Sabemos tudo sobre nossos feriados tradicionais, como festejar o Dia da Independência, aniversários, a passagem de ano etc. Esses dias fazem parte da nossa cultura e da nossa vida. Mas, com respeito aos “tempos de encontro” com Deus, somos ignorantes. Não compreendemos esses tempos que Deus estabeleceu para ter um encontro conosco!

Não sabemos o que são os “tempos de encontro” com Deus! Não sabemos quando eles ocorrem! Muitos de nós não têm a mínima idéia de como celebrar esses tempos de forma a alcançar os propósitos de Deus!

Por isso devemos ver esses “tempo de encontro” com Deus não como rituais legalistas, não como um novo grupo de dias festivos, e não como celebrações “judaicas” tradicionais, mas como compromissos que temos, marcados com Deus!

Robert D. Heidler: Ciclos de Deus – Celebrando as Festas Bíblicas, SP: Editora Ministério Ágape Reconciliação, 2007.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Carta de Marina Silva se desfiliando do PT


Brasília, 19 de agosto de 2009

Caro companheiro Ricardo Berzoini.

Tornou-se pública nas últimas semanas, tendo sido objeto de conversa fraterna entre nós, a reflexão política em que me encontro há algum tempo e que passou a exigir de mim definições,diante do convite do Partido Verde para uma construção programática capaz de apresentar ao Brasil um projeto nacional que expresse os conhecimentos, experiências e propostas voltados para um modelo de desenvolvimento em cujo cerne esteja a sustentabilidadeambiental, social e econômica.

O que antes era tratado em pequeno círculo de familiares, amigos ecompanheiros de trajetória política, foi muito ampliado pelo diálogo com lideranças e militantes do Partido dos Trabalhadores, acujos argumentos e questionamentos me expus com lealdade e atenção.Não foi para mim um processo fácil. Ao contrário, foi intenso, profundamente marcado pela emoção e pela vinda à tona de cada momento significativo de uma trajetória de quase trinta anos, naqual ajudei a construir o sonho de um Brasil democrático, com justiça e inclusão social, com indubitáveis avançosmaterializados na eleição do Presidente Lula, em 2002.

Hoje lhe comunico minha decisão de deixar o Partido dos Trabalhadores. É uma decisão que exigiu de mim coragem para sair daquela que foi até agora a minha casa política e pela qual tenho tanto respeito, mas estou certa de que o faço numa inflexão necessária à coerência com o que acredito ser necessário alcançar como novo patamar de conquistas para os brasileiros e para a humanidade.

Tenho certeza de que enfrentarei muitas dificuldades,mas a busca do novo, mesmo quando cercada de cuidados para não desconstituir os avanços a duras penas alcançados, nunca é isenta de riscos.Tenho a firme convicção de que essa decisão vai ao encontro do pensamento de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, que há muitas décadas apontam objetivamente os equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria,ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida.

Tive a honra de ser ministra do Meio Ambiente do governo Lula e participei de importantes conquistas, das quais poderia citar, atítulo de exemplo, a queda do desmatamento na Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental, a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro.

Entendo, porém, que faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica, ou seja, de fazer a questão ambiental alojar-se no coração do governo e do conjunto das políticas públicas. É evidente que a resistência a essa mudança de enfoque não é exclusiva de governos. Ela está presente nos partidos políticos em geral e em vários setores da sociedade, que reagem a sair de suas práticas insustentáveis e pressionam as estruturas públicas paramantê-las.

Uma parte das pessoas com quem dialoguei nas últimas semanas perguntou-me por que não continuar fazendo esse embate dentro do PT. E chego à conclusão de que, após 30 anos de luta socio ambiental noBrasil – com importantes experiências em curso, que deveriam ganhar escala nacional, provindas de governos locais e estaduais, agências federais, academia, movimentos sociais, empresas,comunidades locais e as organizações não-governamentais – é o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte por quase trinta anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores eparadigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para oPaís.

Assim como vem sendo feito pelo próprio Partido dosTrabalhadores, desde sua origem, no que diz respeito à defesa da democracia com participação popular, da justiça social e dos direitos humanos.

Finalmente, agradeço a forma acolhedora e respeitosa com que me ouviu, estendendo a mesma gratidão a todos os militantes e dirigentes com quem dialoguei nesse período, particularmente a Aloizio Mercadante e a meus companheiros da bancada do Senado, que sempre me acolheram em todos esses momentos. E, de modo muitoespecial, quero me referir aos companheiros do Acre, de quem não me despedi, porque acredito firmemente que temos uma parceria indestrutível, acima de filiações partidárias.

Não fiz nenhum movimento para que outros me acompanhassem na saída do PT, respeitando o espaço de exercício da cidadania política de cada militante. Não estou negando os imprescindíveis frutos das searasj á plantadas, estou apenas me dispondo a continuar as semeaduras em outras searas.

Que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos.

Saudações fraternas.

Marina Silva

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Marina Silva: candidatura a presidência da República como estratégia para a economia verde

Eu me mobilizo pelo avivamento da utopia para a economia do século XXI - Marina Silva

O que a senhora considera essencial, quais salvaguardas julga necessárias para que possa aceitar ser candidata a presidente da República pelo PV?

Não estou colocando as coisas em termos de candidata. O que me motiva a fazer essa discussão são os desafios e questionamentos que venho fazendo ao longo de alguns anos de que o Brasil está maduro para assumir os desafios da sustentabilidade em todas as suas dimensões como algo estratégico para o país. Como ele pode dar esse passo, fazer esse trânsito, é isso que tem me mobilizado. Tanto é que toda a minha gestão no governo Lula foi levantando essa questão, isto é, da política ambiental como centro das políticas.

Mas o PV a convidou para ser candidata a presidente da República.

Logicamente, a questão que o PV me colocou, o convite que me faz, me deixa honrada, mas o que está me mobilizando são projetos, idéias, sem estar ancorada em cálculos de pesquisas de opinião. Não estou sendo movida por uma questão meramente eleitoral. Ouvi o PV no contexto daquilo que os seus dirigentes e militantes estão falando, que consiste em organizar, em outubro, um processo de refundação programática do partido, onde sairia da lógica do processo de fundação, que veio da Europa, de partido verde tradicional, para a idéia de um partido que colocaria no centro de suas questões estratégicas o desenvolvimento sustentável. A minha reflexão é no sentido de que essa questão não é algo que vai ser resolvida por um partido que possa homogeneizar a sociedade para fazer essa mudança. Não é isso. É algo que demanda um debate na sociedade e que todos os partidos têm que assumir essa questão como estratégica. Eu me mobilizo para o avivamento da utopia para a economia do século XXI. É esse trânsito que precisa ser feito e que não existe em lugar nenhum, precisa ser criado para algo diferente.

Mas tudo isso não passa pela política eleitoral também?

Isso é política, claro. O que eu quero dizer é que a questão eleitoral de ser candidata a senadora ou eventualmente candidata a presidente da República é parte dessa estratégia. Correto? Não é que seja um fim em si mesma a eleição. Se existe alguém que não começou tendo a eleição como um fim em si mesma somos nós numa trajetória de 30 anos no PT. Tivemos que perder muitas vezes para que se pudesse ganhar. Se tivéssemos feito o cálculo pragmático, eu nunca teria saído candidata nem para vereadora de Rio Branco. Então a questão não é meramente eleitoral, mas do movimento que se pode colocar em curso. Essa é a reflexão que estou fazendo. Não estou subordinando isso a qualquer pesquisa de opinião ou qualquer outra coisa, com uma candidatura. Obviamente, a questão da candidatura está posta porque nessa agenda tem a disputa eleitoral e ela é importante e estratégica e precisa assumir isso no centro do debate de todos os partidos. As pessoas sempre acham que qualquer movimento que se faz é para ser contra alguma coisa. Meio ambiente reelabora a política porque é o movimento que se pode fazer a favor. Ser a favor da proteção das florestas é bom para todo mundo, assim como ser a favor da redução das emissões de carbono, de uma agricultura que seja sustentável, o que é bom para a própria agricultura e para a balança comercial. Essa interpretação de que a política só se faz pela negação está sendo reposicionada pelo meio ambiente. É possível fazer política pela a afirmação, para criação daquilo que ainda não existe em país nenhum. O Brasil, por ter as melhores capacidades, pode fazer essa inflexão. É isso que mobiliza.

A senhora sonha em repetir o fenômeno Barack Obama?

Não, não. Eu não pretendo isso. Não sou eu quem tenho essa avaliação. Acho que o tema está posto na sociedade e a sociedade demanda compromisso com ele. Eu me movimento para que o tema ambiental tenha o lugar que precisa ter dentro do Brasil e em todos os lugares do mundo. O presidente Obama está fazendo um movimento e ele vai liderar essa agenda se persistir mesmo. Obama é como aquele super-atleta que ficou fora do jogo durante muitos anos, mas faz a diferença quando entra no time decidido a jogar pra valer.

O PV lhe deu um prazo para obter a sua resposta?

Não, não me deram um prazo. Os prazos, digamos, são os prazos legais. Estou vivendo um momento de muito tensionamento por causa disso. Tenho uma trajetória de 30 anos de PT. Tenho minha vida ligada a esse sonho, a esse projeto, me sinto parte de todas as conquistas e de todos os problemas. O que está em questão agora é como fazer algo que possa estabelecer que as utopias do século XXI de fato possam acontecer, que a gente saia da agenda dos séculos IXX e XX e assuma o desafio civilizatório do século XXI. É isso o que é necessário.

Como reagiu o governador do Acre, Binho Marques, petista, seu maior amigo e aliado político? Ele ficou perplexo com a sua decisão?

Falei aos meus companheiros que tinha recebido convite do PV dentro dessa revisão programática, obviamente incluindo o convite para me filiar e decidir prioritariamente pela candidatura a presidente. Vou pro Acre para conversar com as pessoas, amigos e companheiros, e uma das primeiras pessoas com quem vou conversar será com o Binho. Ele me ouviu e falou que me espera para que a gente possa conversar. Falei também com o ex-governador Jorge Viana e com o senador Tião Viana. No Acre, você sabe muito bem, não existe hierarquia. Não tenho problemas com o PT do Acre.

Mas a senhora pode deixar numa posição desconfortável seus companheiros. Eles a apoiariam ou à Dilma para presidente?

Não quero antecipar essa questão. Estou num momento de reflexão e qualquer juízo de valor que eu faça de algo dessa natureza pode transparecer que já tenho uma decisão. A decisão que tenho é de que a questão ambiental precisa ser colocada como algo estratégico na agenda nacional.

Mas isso não é possível fazer a partir do PT?

Eu acho que isso precisa ser feito dentro de todos os partidos. Não dá para fazer essa mudança achando que um partido sozinho vá homogeneizar. No meu entendimento, é um movimento para que todos se comprometam com essa agenda, pois ela não está colocada com a dimensão necessária por nenhum partido.

A senhora conversou com Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT?

Sim. Ele telefonou e pediu-me para que pudéssemos conversar. Vamos conversar quando eu voltar do Acre, após ouvir pessoas com quem tenho uma trajetória de vida. Tenho uma filha de 28 anos e o PT tem 30 anos na minha vida.

E se o presidente Lula reforçar o apelo pela sua permanência no PT?

Tenho o maior respeito e relação de companheirismo com Lula. Servi durante cinco anos, cinco meses e catorze dias ao governo dele. Não colocaria nenhum tipo de condicionante a isso, pois estou fazendo uma reflexão. Todas as pessoas que estão sabendo disso e que me conhecem, sabem que não se trata de um processo fácil. Mas a história se faz por homens e mulheres que se dispõem a transformá-la. Essa transformação não prescinde a contribuição do sujeito. Neste momento estou vivendo uma dupla situação: a do sujeito que precisa se colocar e, ao mesmo tempo, do agente que sabe que as mudanças não acontecem única e exclusivamente pela ação dos indivíduos. O presidente Lula me chamou e eu me senti honrada de fazer parte do ministério dele. Contribui enquanto achei que tinha o necessário apoio para isso. Respeitosamente, saí do governo quando compreendi que não reunia mais essas condições. O combate que faço hoje no Senado pela agenda do desenvolvimento sustentado não é diferente do que fiz enquanto ministra do Meio Ambiente durante o tempo que permaneci no cargo. E não será diferente do que vou fazer, seja como candidata à reeleição como senadora ou como cidadã.

Na política, a senhora nunca foi de exigir, de dizer “eu quero”. A sua agenda sempre foi a agenda do consenso de seus amigos e companheiros. Neste momento, porém, está tendo que tomar uma decisão pessoal. É a decisão…

Sem sombra de dúvida, é mesmo a decisão mais difícil de minha vida.

Pelo fato de ter sido sempre, digamos, objeto do consenso?

Não necessariamente. Quando um grupo resolveu que deveria permanecer no PMDB, nas Comunidades Eclesiais de Base, no Acre, e outro decidiu ficar no pólo que lutaria pela fundação do PT, isso não se deu por consenso. Quando resolvi sair do Ministério do Meio Ambiente, também não foi por consenso.

Tudo bem, mas isso se deu poucas vezes numa trajetória política com mais de 30 anos. Por que agora essa decisão é tão difícil?

Pelo tamanho do desafio e pela magnitude da decisão. Nós temos que buscar fazer essa inflexão nos modelos de desenvolvimento, nas economias dos diferentes países, fazendo com que governos e partidos, acadêmicos, formadores de opinião, se comprometam com essa agenda e coloque-a no centro do debate. Mas não como algo em oposição ao desenvolvimento, mas como parte integrante da mesma equação. Esse é o desafio. Ou isso acontece ou nós vamos chegar em meados do século com a constatação de que a gente pode ter inviabilizado as possibilidades de vida na terra. Esse movimento tem que acontecer sem que a gente perca avanços que tivemos no governo do presidente Lula, que passou de R$ 8 bilhões para R$ 28 bilhões de investimentos em política social. Conquistas como essas devem permanecer, mas existe uma agenda estratégica com a qual temos que nos comprometer.

O que acha dos comentários de que a sua candidatura poderia inviabilizar a candidatura a presidente da ministra Dilma Roussef?

Não vou me iludir com isso, pois é claramente um superestimação de minha possível candidatura. Não vou me iludir achando que alguém que lida com temas considerados secundários ou de minorias possa colocar em risco uma candidatura que tem todo o peso e respaldo que tem a candidatura da ministra Dilma. Eu estaria sendo pretensiosa se embarcasse nessa avaliação.

Mas é fato que o seu carisma é bem maior que o dela, não? Diferente da senhora, ela murcha quando discursa.

Eu não quero especular sobre isso. Ela é um quadro técnico fantástico reconhecido por todos nós.

Na sua decisão tem peso o fato de o PV não dispor de muito tempo na TV para uma eventual exposição de sua candidatura a presidente da República?

Não estou fazendo cálculos. Se eu ficasse fazendo cálculo de tempo em programa eleitoral, jamais teria sido candidata. Você sabe que já fui candidata com um tempo de um minuto, que tinha que ser dividido com o Chico Mendes. Trinta segundos para ele e trinta segundos para mim. Tínhamos que nos apresentar ao vivo na TV. Isso não tem nada pragmático. Prefiro continuar acreditando que o sonho remove montanhas. Foi isso que fizemos em 30 anos. Removemos algumas montanhas, mas não removemos outras porque não nos expusemos com a radicalidade necessária. Esses movimentos precisam ser feitos. Eles são de tamanha magnitude que não temos que ter a ilusão de que vai ser homogeneizado por um partido. Tem que ser um movimento da sociedade, dos empresários, dos políticos, dos acadêmicos, dos jornalistas, homens e mulheres, principalmente da juventude, que não se deixa aprisionar pelos projetos imediatistas, que não fica fazendo cálculos do presente, mas que coloca a contabilidade do futuro para ser resolvida agora.

Então a discussão…

A discussão é no sentido de que se crie para a economia do Brasil uma nova narrativa. Um país que tem 46% de matriz energética limpa não pode ser circundado num debate aonde outros que têm menos capacidade assumem a pró-atividade. Um país que é capaz de fazer um plano de combate ao desmatamento e reduzir 57% de emissão precisa se comprometer com metas de certificação da agricultura, precisa trabalhar para que a infra-estrutura tenha critérios de sustentabilidade, sem que isso signifique ter que sofrer os efeitos indesejáveis dessas mudanças.

Quais seriam os efeitos indesejáveis?

Que o país não possa continuar se desenvolvendo, perca empregos e oportunidades. Nós ainda temos o tempo para fazer o trânsito. Nem dá para dizer mais que não podemos perder o bonde da história. Nós não podemos é perder o trem-bala da história.